terça-feira, 7 de junho de 2022

A UFRJ vai fechar? Entenda o corte de verbas na educação superior

 

Aos 100 anos, a primeira e maior instituição de ensino superior do Brasil corre o risco de fechar. É o que alerta a reitoria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) diante do mais recente corte de recursos financeiros promovido pelo Governo Bolsonaro. No início de maio, a reitora, Denise Pires de Carvalho, e o vice-reitor, Carlos Frederico Leão Rocha, publicaram artigo no jornal O Globo com a notícia alarmante: a universidade não tem verbas de custeio para se manter a partir do segundo semestre de 2021. O Humanista foi atrás de informações que ajudam a entender o cenário crítico – que pode ter reflexo também em outras instituições federais.

O que são verbas de custeio?

Os gastos nas universidades federais se dividem em dois: as despesas obrigatórias e as não obrigatórias, que são chamadas de discricionárias. As obrigatórias são para pagamentos de funcionários e aposentadoria, representam, normalmente, 80% do total destinado à área e não podem sofrer cortes promovidos pelo governo. 

Já as discricionárias podem sofrer cortes governamentais e são divididas em duas categorias: as de custeio, que são investidas no funcionamento da universidade, com pagamento de contas de água e luz, de bolsas de pesquisa para os estudantes, além do pagamento dos salários dos terceirizados; e as de investimento, que são referentes à obras.  São essas verbas que a UFRJ não possui para seguir sua operação a partir de julho.

Fonte: Uol

Segundo a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), o orçamento discricionário para 2021 teve um corte de pelo menos R$ 1 bilhão. Os recursos destinados às 69 universidades federais é 18,16% menor do que o destinado no ano passado.

E quando as aulas presenciais voltarem?

Se com as aulas em modo remoto durante a pandemia de Covid-19 já não há verbas para a manutenção da universidade, o que acontecerá quando o ensino voltar ao presencial? O orçamento de custeio, que prevê itens básicos, como papel higiênico e sabonete – itens já raros em federais -, cobrirá também os novos itens impostos pela pandemia, como álcool gel e a higienização dos ambientes, ou mais universidades públicas, bases da pesquisa do país, também vão seguir o caminho da UFRJ e não terão como se manter? São perguntas para as quais o Humanista seguirá vigilante em busca de respostas. 

Stéfani Fontanive / #ExplicaçãoHumanista

Fonte: UFRGS

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